Ministério da Saúde suspende vacina da dengue do Butantan após mortes suspeitas entrarem em investigação

A medida é preventiva e foi tomada depois do registro de casos graves em pessoas recém-vacinadas. Quem recebeu o imunizante nos últimos 21 dias deve monitorar sintomas e procurar atendimento em caso de sinais de alerta.

O Ministério da Saúde suspendeu temporariamente, nesta segunda-feira (8/6), a aplicação da vacina contra a dengue desenvolvida pelo Instituto Butantan. A decisão foi tomada de forma preventiva após a identificação de eventos adversos graves e inesperados em pessoas que receberam o imunizante recentemente.

Entre os casos em análise estão duas mortes suspeitas, ainda sem confirmação de relação direta com a vacina. A medida interrompe a distribuição e a aplicação das doses enquanto as autoridades sanitárias avaliam os registros.

A Butantan-DV começou a ser aplicada no início deste ano e vinha sendo considerada um marco por ser uma vacina de dose única, desenvolvida com tecnologia brasileira e voltada à proteção contra os quatro sorotipos do vírus da dengue. A primeira etapa da campanha tinha como foco profissionais de saúde.

Até o momento da suspensão, cerca de 500 mil doses haviam sido aplicadas. Segundo o Ministério da Saúde, foram registradas 3.703 notificações de sintomas semelhantes aos da dengue entre pessoas vacinadas, o equivalente a aproximadamente 0,7% do público imunizado.

O alerta maior veio de 42 casos que evoluíram com sinais de gravidade, representando cerca de 0,008% dos vacinados. Dentro desse grupo, três ocorrências foram classificadas como especialmente graves.

Uma mulher de 39 anos precisou ser internada em UTI após apresentar quadro de choque seis dias depois da vacinação, mas conseguiu se recuperar. Outra paciente, de 48 anos, relatou sintomas intensos 19 dias após receber a dose, desenvolveu meningoencefalite e morreu. Um homem de 58 anos apresentou febre no quinto dia depois da aplicação, evoluiu para choque refratário e também não resistiu.

Apesar da gravidade dos registros, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, afirmou que ainda não há dados suficientes para estabelecer uma relação de causa entre a vacina e os casos investigados.

“Nós tivemos três casos graves […] sem, até esse momento, ter dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência”, explicou.

A suspensão surpreendeu porque o imunizante havia recebido autorização da Anvisa após anos de acompanhamento da fase 3 dos estudos clínicos, com mais de 16 mil voluntários no Brasil. A pesquisa apontou eficácia geral de 74,7% e proteção contra hospitalizações nos dados analisados.

A expectativa inicial do Ministério da Saúde era distribuir cerca de 30 milhões de doses no segundo semestre de 2026. Com a paralisação, a continuidade do cronograma dependerá da conclusão das investigações e da avaliação das autoridades sanitárias.

A partir de agora, o Governo Federal deverá iniciar uma busca ativa por possíveis novos casos de reações adversas. Estados e municípios serão orientados a rastrear pessoas vacinadas recentemente e acompanhar sinais que possam exigir atendimento médico.

Quem recebeu a vacina do Butantan nos últimos 21 dias deve manter atenção aos sintomas, sem pânico. A orientação é procurar atendimento médico imediato e comunicar a Secretaria de Saúde local caso apareçam sinais como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, irritabilidade, sonolência extrema, sangramentos ou sinais de desidratação.

A investigação segue em andamento, e a suspensão da vacina permanece como medida de cautela até que os eventos adversos sejam esclarecidos.