A investigação contra Deolane Bezerra avançou nesta sexta-feira (29) com a conclusão do relatório da Operação Vérnix pela Polícia Civil. A influenciadora e advogada foi indiciada por lavagem de dinheiro e por suspeita de integrar organização criminosa ligada ao Primeiro Comando da Capital, o PCC.
Ao todo, sete pessoas foram indiciadas no caso. Entre elas estão Deolane e Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, apontado como liderança da facção. Marcola, que está preso desde 2019, negou conhecer a advogada.
O indiciamento acontece oito dias depois da prisão de Deolane. Ela foi detida em 21 de maio, dentro de sua casa, durante uma ação policial em que agentes estavam armados com fuzis. Desde a sexta-feira seguinte, dia 22, a influenciadora permanece em uma penitenciária no interior de São Paulo.
No relatório, a Polícia Civil afirma que os materiais apreendidos na Operação Vérnix reforçam os indícios de autoria e a materialidade dos crimes de organização criminosa e lavagem de capitais. O documento foi encaminhado à Justiça de São Paulo, que agora deverá analisar as medidas pedidas pelos investigadores.
A conclusão do relatório ocorre dois dias depois de Deolane ter sido acusada de envolvimento em um suposto plano de atentado contra o presidenciável Flávio Bolsonaro.
Da prisão, Deolane enviou uma carta aberta em que negou os crimes, reafirmou sua inocência e disse estar sendo presa por “perseguição” e por ser “formadora de opinião”. A advogada também é viúva de MC Kevin, morto em 2021.
Após o indiciamento, a Polícia Civil solicitou uma série de medidas cautelares. Entre os pedidos estão o sequestro de veículos, a ampliação dos bloqueios patrimoniais e a custódia judicial de joias e relógios apreendidos durante a operação.
A polícia também pediu o compartilhamento de informações com a Polícia Federal. Segundo o portal Metrópoles, a corporação segue analisando os materiais recolhidos, inclusive depois de Deolane se negar a fornecer a senha de seu celular.
Para os investigadores, o conteúdo apreendido ainda pode gerar novas fases da operação e ajudar na identificação de outras pessoas que teriam participado do suposto esquema criminoso. A apuração também cita uma transportadora apontada como empresa de fachada, localizada no interior de São Paulo.
No relatório, Deolane é descrita como suposta beneficiária de repasses ligados ao esquema. A polícia afirma que ela teria recebido valores e atuado na lavagem de dinheiro do PCC.
A influenciadora também é acusada de ter participado de uma reorganização do esquema após a prisão de outros influenciadores investigados por suposta ligação com a facção. Segundo a apuração, esses influenciadores também teriam atuado em favor do grupo criminoso.
O caso ainda ganhou repercussão política porque o PCC foi classificado como organização terrorista pelo presidente americano Donald Trump, decisão que provocou uma reação dura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
No caso específico de Deolane, a investigação aponta que ela teria recebido mais de R$ 24,5 mil em um período de três meses, em 2020. A defesa da influenciadora afirma que o valor corresponde à prestação de serviços advocatícios.
Os investigadores também citam depósitos que somariam R$ 1 milhão entre 2018 e 2021 sem origem identificada. A defesa sustenta que os valores estão ligados à atuação profissional de Deolane como advogada.
Com o relatório entregue à Justiça, caberá ao Judiciário avaliar os pedidos feitos pela Polícia Civil e decidir os próximos passos da investigação.
